sábado, 26 de janeiro de 2008

Heaven to Hell


Está acontecendo em São Paulo, no MuBE, desde o dia 23 de janeiro, a exposição do fotógrafo surrealista pop kitsch David LaChapelle.
Nascido em 1963, seu primeiro emprego como fotógrafo foi com o ícone da pop art Andy Warhol (1927 - 1987) para a revista Interview em 1984. Grandes fotógrafos como Richar Avedon e Helmut Newton admiravam seu trabalho.
A exposição "Heaven to Hell - Belezas e Desastres" traz 25 fotografias divididas em retratos de famosos e composições feitas para publicidade e revistas. Em suas fotos, LaChapelle gosta de mostrar figuras comuns no meio de ambientes caóticos e bizarros onde o contraste das figuras e as cores fortes são sua marca. Outra parte da exposição traz videoclipes dirigidos ele.
Também será exibido o documentário "Rize", que abriu o festival de cinema de Sundance em 2005. Nele, LaChapelle retrata o "krumping", estilo de dança frenético dos subúrbios de Los Angeles.
Ainda não fui na exposição, então não vou deixar uma crítica pessoal, mas acho que vale a pena dar uma conferida.


Marilyn Manson

Tommy Lee

Madonna

Madonna

Cher

Alexander MacQueen: Burning Down The House - 1996

Death by Hamburger - 2001

Milk Maidens - 1996

Last Supper - 2003

Sermon - 2003

Lonely Doll I - 1998

Redeeming Paradise - 1999

Can you help us? - 2001

When the World is Through - 2005


Natural Blues - Moby - 2000


It's My Life - No Doubt - 2003


Filme Rize - 2005


DAVID LACHAPELLE, "HEAVEN TO HELL - BELEZAS E DESASTRES"
Onde: MuBE - av. Europa, 218, Jardim Europa, São Paulo (um serviço de vans transportará visitantes do estacionamento coberto do Shopping Iguatemi para o museu diariamente, a partir das 13h)
Quando: de 24 de janeiro a 5 de fevereiro, terça a domingo das 10h às 19h
Quanto: grátis

domingo, 20 de janeiro de 2008

Circo de horrores

A televisão brasileira é um lixo. Não tem quase nada que preste. Talvez um ou outro programa da TV Cultura e olhe lá.
Reality shows, novelas, programas para donas de casa, telejornais formadores de opinião, programas cômicos bizarros, programas pró-violência e os infelizes programas infantis.
Nesta última categoria se encaixa o Horror Show que o Sistema Brasileiro de Televisão chama de Sábado Animado e que é apresentado por uma menininha que dá medo chamada Maísa. Ver esta menina falando na televisão é chocante. Como alguém pode sujeitar uma criança a este tipo de humilhação pública? E o pior é que as pessoas gostam! Com certeza os pais dela olham para a tela orgulhosos da sua criação (ou seria melhor dizer criatura?). Pelos trejeitos, ela deve assistir tv 24 horas por dia. E o pior é que ela, ainda por cima, é mal-educada. E isso é o que milhares de crianças assistem e pegam como exemplo.

Abaixo o vídeo do programa. Ugh...


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Crítica através da imagem

Chris Jordan é um fotógrafo americano que faz belíssimas imagens com objetos repetidos, cores e texturas. E através dessas imagens ele faz críticas à sociedade consumista e mostra números impressionantes do impacto dessas coisas sobre as pessoas e o mundo.

- Running the Numbers - An American Self-Portrait (2006 - 2007):

Skull With Cigarette, 2007 - Baseado em uma obra de Van Gogh
200.000 caixinhas de cigarros que equilvalem ao nº de americanos que morrem por causa do cigarro a cada 6 meses.






Plastic Bottles, 2007
2.000.000 de garrafas de plástico. É o nº de garrafas que os americanos usam a cada 5 minutos (!).





Cans Seurat, 2007
106.000 latas de alumínio. É o número de latas que os americanos usam a cada 30 segundos (!!).





Ben Franklin, 2007
125.000 notas de U$ 100 (U$ 12.5 milhões). É quanto o governo dos EUA gasta por hora (!) na guerra do Iraque.




No site dá para ver mais duas exposições:

- Intolerable Beauty - Portraits of American Mass Consumption (2003-2005)

Crushed cars #2, Tacoma 2004

- In Katrina's Wake - Portraits of Loss From an Unnatural Disaster (2005)

Remains of a business, St. Bernard Parish


* dica super bacana de post enviada pelo meu colega blogueiro Mauricio Meurer do blog Neurônio Nervoso.

Blog Cabeça nas Nuvens


Esqueci de fazer as minhas 5 indicações para o Blog Cabeça...

Neurônio Nervoso - Blog D+ do Mauricio Meurer. Sou grande fã.
Imagem, papel e fúria - Blog do Tarcízio Silva. Como o próprio nome já diz, fala sobre imagem, papel e fúria! Muito bom.
Frenesi - Blog do futuro jornalista e escritor Gabriel Leite. Como ele mesmo diz "Um blog feito para e sobre pessoas interessantes".
Novelo Digital - Blog do Fernando Assad sobre assuntos super interessantes sobre pessoas e coisas super interessantes.
Pequeno Inventário de Impropriedades - Blog do Max Reinert. Textos muito bons.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Palavras do mestre

Neste texto, Oscar descreve um projeto dele. Prestem atenção como, para ele, projetar é pura poesia. Ele conta a história de Luís Carlos Prestes e vai falando sobre a relação dos visitantes com o edifício ao mesmo tempo.
No início do texto, ele fala sobre o peso dos seus 100 anos. Belíssimo.


TENDÊNCIAS/DEBATES

Não basta louvar

OSCAR NIEMEYER

O projeto que fiz do memorial de Luís Carlos Prestes é, a meu ver, obra tão especial que vale a pena explicá-la um pouco

Hoje, lembrando os dias de folga que o fim de ano nos assegura, sinto que alguma coisa me foi possível realizar.
Não tinha nenhum programa preestabelecido. O meu aniversário, uma semana antes, havia sido muito movimentado, e centenas de amigos me procuraram para me abraçar na casa das Canoas. O meu desejo era evitar tudo isso, e festejar um centenário me parecia pesado demais. Não que o passado me entristecesse, mas como me revolta lembrar as velhas amizades perdidas para sempre...
Como eu esperava, os amigos insistiram e acabei ficando o dia todo por lá, onde, sem festa nem música, atenderia os que aparecessem. E, passado tudo isso, foi no meu apartamento de Ipanema que me deixei ficar, um pouco cansado do que ocorrera, mas surpreso ao constatar que, como se tivesse estado no escritório, havia projetado o memorial de Prestes e lera dois livros extraordinários.
O primeiro é uma novela do poeta português Manuel Alegre, "Cão como Nós", que muito me comoveu. Uma história simples de um cachorro que acompanhou o seu narrador por muitos anos e que com ele se entendia tão bem que só faltava falar. É nessa procura de comunicação, de se compreenderem melhor, que o texto se desenvolve -em linguagem de qualidade literária tal que não raro pedia a Vera, minha mulher, para repetir trechos pelo prazer de os ouvir outra vez.
O outro livro, que recebi de presente do meu amigo Fernando Balbi, é uma coletânea de artigos de José Luís Fiori ("O Poder Global"), tão atualizados e esclarecedores que todo jovem brasileiro deveria conhecê-los. Fiori expõe sua posição progressista sobre as contradições do mundo globalizado e a onda neoconservadora que cresce por toda parte, com forte apoio do governo norte-americano.
Mas não foi só a leitura que me ocupou, mas principalmente o projeto que fiz do memorial de Luís Carlos Prestes, a ser construído no Sul do país. É, a meu ver, obra tão especial que vale a pena explicá-la um pouco.
Um trabalho que não se baseou, como de costume, num programa construtivo, mas na idéia de criar um elemento principal e único: uma parede que, cheia de curvas e retas inesperadas, atravessando em diagonal um retângulo de vidro do edifício (de lado a lado), possa lembrar aos visitantes as etapas fundamentais da vida desse grande brasileiro. A fachada simples e retilínea de vidro do edifício marcaria, com a parede interna tão movimentada, o contraste que a boa arquitetura procura muitas vezes exibir.
Junto da entrada, a parede com textos e imagens começa a mostrar aos visitantes os inícios da vida de Prestes, quando, oficial do Exército, era incumbido de acompanhar obras em construção no Rio Grande do Sul -aí surge, já com 26 anos, severo como sempre foi, Prestes a reclamar da maneira pouco correta com que os trabalhos estavam sendo desenvolvidos.
Não recebendo resposta às denúncias que fazia, foi pouco a pouco sentindo que uma solução burocrática a nada conduzia, mas que os problemas do país tinham de ser resolvidos por meio de uma revolução. E a Coluna Prestes apareceu naturalmente como a única maneira de enfrentar as questões políticas e sociais existentes.
Passo a passo, os visitantes vão tomando conhecimento dessa marcha extraordinária, da coragem desse grupo de patriotas a resistir por tanto tempo às forças repressivas. Logo em seguida, Prestes é obrigado a se exilar -na Bolívia e, depois, na Argentina, seguindo mais tarde para a União Soviética, quando, já sintonizado com o pensamento de Marx, dá à revolução um sentido mais amplo e universal.
A parede vai se escurecendo e, num ambiente mais fechado e sombrio, aparece o período da prisão, em que ele permanece nove anos incomunicável. E, como para agravar tanta tristeza, em 1936, sua mulher, Olga Benário, presa e grávida, é enviada criminosamente a um campo de concentração na Alemanha, onde seria morta numa câmara de gás em 1942; sua filha, Anita, após grande campanha internacional desencadeada pela mãe de Prestes, é afinal entregue à avó.
Quanta maldade! Impressionados com tanta violência, os visitantes param consternados; é a luta política com seus momentos de glória e horror. A guerra acabara. Vitoriosos, os soviéticos entram em Berlim. Um clima de otimismo se espalha. No Brasil, Prestes é anistiado, e o Partido Comunista Brasileiro conquista a legalidade. É a época dos grandes comícios, da campanha pela Constituinte.
A parede vermelha, que, de acordo com os acontecimentos, vai mudando de cor, escurece outra vez. Diante dela, comovidos, os visitantes constatam que o momento de euforia passara. Em 1947, o TSE cancela o registro do PCB e, a seguir, cassa os mandatos dos parlamentares comunistas -entre eles, Prestes. Era a reação anticomunista que recomeçava, implacável.
Prestes passa a atuar na clandestinidade. Com o golpe militar de 1964, seus direitos políticos são cassados. A história caminha para o fim.
Atentos, os visitantes seguem o relato emocionante. Começa um novo exílio, que se estende até 1979; de volta, apóia as Diretas-Já, solidarizando-se com a candidatura de Tancredo Neves. O tempo passa e, altivo e corajoso como sempre, vem a morrer em 1990; postumamente, Prestes é anistiado pelo Exército e promovido a coronel.
Como arquiteto, vejo, satisfeito, que meu projeto vai contribuir para manter viva a memória de Luís Carlos Prestes, um brasileiro que lutou em favor de seu povo, contra a miséria e a desigualdade social que, infelizmente, ainda persistem em nosso país.
Reli este texto e sinto que não basta louvar o passado. O importante é continuar essa luta por um mundo melhor que o império de Bush procura em vão obstruir.


OSCAR NIEMEYER, 100, arquiteto, é um dos criadores de Brasília (DF). Tem obras edificadas na Alemanha, Argélia, EUA, França, Israel, Itália e Portugal, entre outros países.